TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA - TEA

 

 

NOMENCLATURA

  • Transtorno Global do Desenvolvimento (TGD): nomenclatura trazida pelo CID 10, desatualizada.
  • Transtorno Invasivo do Desenvolvimento (TID), nomenclatura que o DSM-IV trazia, também desatualizada.
  • Transtorno do Espectro Autista (TEA), nomenclatura atualizada pelo DSM-V, a mais recente e atual.

 

O QUE ENTENDER POR TEA

O entendimento fica em torno do conceito de conjunto. Isso porque o TEA é caracterizado por um conjunto heterogêneo de síndromes clínicas. Ou seja, existe um trio de comportamentos que podem variar do mais brando ao mais severo, mas que se mantêm interligados em um sentido de continuidade. O que isso quer dizer, afinal, é:

 

 

Os comportamentos entre os indivíduos com TEA são os mesmos e o que varia é a intensidade com que isso se manifesta, assim como a gravidade do acometimento.

 

 

COMPROMETIMENTOS

Os comprometimentos, comuns a todos do espectro autista, são, dentro de um continnum:

  • Inabilidade nas interações sociais: convívio.
  • Inabilidade na comunicação.
  • Estereótipo de comportamentos, interesses e atividades.

 

INTERAÇÃO SOCIAL

  • O isolamento acontece em graus que variam.
  • Relacionamentos não são fontes de segurança, conforto ou alívio para a ansiedade independentemente da idade.
  • Não tem desenvolvida a capacidade de antecipação, antevisão de situações e acontecimentos.
  • Não mantém contato olho no olho.
  • Apreende emoções com déficit por falta de expressividade facial (suas e alheias).
  • Desafiador reconhecer ou perceber sentimentos e respostas sociais.
  • Interpreta de maneira inadequada o tom de voz e/ou expressões faciais.
  • Vínculos de amizade e afetividade e senso de cooperação para atividades e brincadeiras em grupo são bastante desafiadores.
  • Pode agir como se fosse surdo (sua atenção está focada em algo específico e ele só vai desviar a atenção quando for sua opção).
  • Não busca, espera ou entende que precisa da aprovação de adultos.

 

LINGUAGEM E COMUNICAÇÃO

  • Apresenta déficit na compreensão da linguagem falada.
  • Não tem qualidade na fala social e reciprocidade (fala pouco).
  • É comum falar sem estar de fato conversando.
  • Pode não ser possível entender sua fala.
  • A fala pode ser estereotipada como com inversão dos pronomes eu-você ou rimando palavras.
  • Com tom de voz constante e monótono pode falar incessantemente ou, às vezes, cantando.
  • Tem habilidade de imitar perfeitamente frases no mesmo tom de voz de quem as pronunciou.
  • Podem aprender a precocemente e sem ajuda, mas pouco compreendem o que leem e não são capazes de contextualizar essas informações para se comunicarem com os outros.

 

COMPORTAMENTO

  • Hiperativo e/ou passivo.
  • Rotinas e estereotipias: balanceio de corpo, mãos, às vezes automutilação.
  • Repetição de brincadeiras que, além de tudo, são de pouca imaginação e sem variedade.
  • Raramente dá conta de brincadeira de faz-de-conta.
  • Imitar é desafiador: bater palma, dar tchau, cumprimentar de forma geral.
  • Não utiliza objetos de acordo com sua real função.
  • Facilmente desenvolve apego a certos objetos.
  • Resiste a mudanças de rotina ou de ambiente.
  • Necessidade exagerada de organização e previsibilidade de acontecimentos.
  • Preocupação com itinerários, horários, datas e números.
  • É comum em determinadas fases que prefira certos alimentos a outros.
  • É fascinado por movimento.
  • Possível preferência por sabores fortes que desagradariam a maioria das pessoas.
  • Tende a tocar e cheirar pessoas e objetos.
  • Tende a se prender a detalhes que classifiquem objetos, tampinhas de garrafa – por exemplo – colecionando-os.
  • Atenta-se a uma parte do todo de um objeto.
  • Pode vir a estudar um único tema e falar incessantemente sobre o assunto.

 

OUTRAS CARACTERÍSTICAS

  • Não abstrai pensamento: prende-se ao concreto e literal.
  • Não entende brincadeiras, ironias, metáforas, piadas.
  • Dificuldade em organização e sequência (por isso se prende às rotinas).
  • Não apresenta noção de perigo.
  • Detalhes fazem com que identifique ambientes.

 

Indivíduos com transtorno do espectro autista frequentemente apresentam deficiência intelectual (Transtorno do Desenvolvimento Intelectual), segundo o DSM-V, que se caracteriza por déficits em capacidades mentais genéricas: raciocínio, solução de problemas, planejamento, pensamento abstrato, juízo, aprendizagem acadêmica e aprendizagem pela experiência.

 

Por mais que um indivíduo dentro do Espectro Autista esteja dentro do quadro de preservação cognitiva e alta funcionalidade, as características do TEA são as mesmas. Então, seja com Deficiência Intelectual (D.I.) associada ou preservação cognitiva a tríada que caracteriza o TEA não muda, variando apenas o grau de intensidade de comprometimento.

 

Assim como o DSM-V traz, “No diagnóstico do transtorno do espectro autista, as características clínicas individuais são registradas por meio do uso de especificadores (com ou sem comprometimento intelectual concomitante; com ou sem comprometimento da linguagem concomitante; associado a alguma condição médica ou genética conhecida ou a fator ambiental), bem como especificadores que descrevem os sintomas autistas (idade da primeira preocupação; com ou sem perda de habilidades estabelecidas; gravidade).

 

Tais especificadores oportunizam aos clínicos a individualização do diagnóstico e a comunicação de uma descrição clínica mais rica dos indivíduos afetados. Assim, muitas pessoas diagnosticadas com transtorno de Asperger atualmente seriam diagnosticados com transtorno do espectro autista sem comprometimento linguístico e/ou intelectual.